Uniformes escolares inclusivos

Uniformes escolares inclusivos

Os uniformes escolares são uma tradição de mais de meio século no Brasil e as escolas ainda adotam essa prática até hoje para mostrar que naquela micro comunidade de estudantes, todos receberão as mesmas oportunidades e educação. A questão é que há mais de seis décadas pouco se evoluiu em termos de modelagem dessas vestimentas e pouco se questiona sobre o assunto.

Parece até que se trata de algo imutável, que não necessita de evolução. Em pesquisa recente, a empresa Uniform To Go reuniu um grupo de mães atípicas que nunca haviam se questionado se os uniformes escolares deveriam ser mais inclusivos e considerar as necessidades dos filhos autistas e/ou cadeirantes. Embora afirmassem optar por roupas inclusivas, sempre que havia essa opção, em se tratando de uniformes (conjunto de vestes que serão utilizadas por no mínimo 15 anos), simplesmente nunca haviam parado para refletir e olhar para isso.

E, afinal, o que é um uniforme inclusivo? Não se trata de um modelo exclusivo para as crianças com deficiência, pois isso iria de encontro com a própria ideia de um uniforme de igualizar estudantes. Qualquer uniforme pode ser uma poderosa ferramenta de inclusão se adotar algumas práticas e modificar a modelagem, promovendo a independência e autonomia das crianças.

Alguns exemplos de como isso pode acontecer:

  • Zíper – o tamanho do zíper influencia diretamente a independência das crianças com alguma dificuldade no movimento fino de pega e também para as crianças menores que estão aprendendo a se vestirem sozinhas.
    • Uma solução prática seria a adoção de zíperes maiores ou aquela lingueta comum em alguns modelos mais esportivos.
  • Bolsos e/ou costuras na parte de trás da calça – uma criança que usa cadeira de rodas fica de 14 a 18 horas sentada. Ela pode não ter a sensibilidade das pernas, mas sua pele fica marcada e machucada dependendo do tecido, das costuras e bolsos.
    • Retirar os bolsos e tomar cuidado com as costuras melhora a qualidade de todos os estudantes que também passam horas sentados dentro das escolas. Então a melhoria para uns é a melhoria para todos.
  • Marcas e logos bordadas nas camisetas e blusas – concordamos que são bonitas, mas existem alternativas, incluindo um forro mais cuidadoso e bem acabado por dentro, para que a marca não machuque a pele das crianças e também não incomode tanto quem tem hipersensibilidade.

Esses são alguns exemplos de práticas que podem ser incorporadas à modelagem dos uniformes escolares, sem alterar o layout da escola, promovendo a independência e autonomia de alunos não só com deficiência, não só da primeira infância, mas como crianças no geral. Tais práticas tem impactos na qualidade de vida dos estudantes, de seus pais, cuidadores e todos ao redor. A mudança é cultural e não há empatia sem inclusão. Precisamos falar mais sobre isso.

 

Autora: Thaís Alcântara, fundadora da Uniform To Go, empresa que moderniza o mercado dos uniformes escolares, conectando pais, escolas e confecções. Siga www.instagram.com/uniformtogo

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